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Primeiros passos na ocarina: um guia para começar
Está começando na ocarina? Este guia é tudo que você precisa para iniciar sua jornada, desde a escolha do instrumento até as primeiras notas.
Escrito por Maycon Lopes.
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Se você está começando agora, seja bem-vindo! Toco ocarina há mais de dez anos e preparei este guia para ajudar você a dar os primeiros passos sem complicação. Você não precisa dominar teoria musical, comprar o modelo mais caro nem tocar rápido. Com um instrumento adequado e um pouco de prática regular, já dá para aprender as primeiras notas e tocar melodias simples.
Vamos por partes: primeiro, escolher e conhecer o instrumento; depois, cuidar do sopro, da afinação e do ritmo; por fim, montar uma rotina de estudo e encontrar companhia para continuar. Se você aprende melhor vendo e ouvindo, pode começar pelo vídeo abaixo e depois voltar às seções que quiser rever.
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Como tocar ocarina: tudo que você precisa saber para começar

Navegue pelo guia
- Escolha uma ocarina para aprender
- Conheça o instrumento e ajuste a postura
- Comece pelas notas naturais
- Sopre com controle e afine cada nota
- Articule as notas e estude o ritmo
- Faça os três exercícios para sua primeira rotina
- Cuide da ocarina
- Continue aprendendo com outras pessoas
- Siga um plano simples para a primeira semana
1. Escolha uma ocarina para aprender
Existem ocarinas de vários formatos, afinações, materiais e quantidades de furos. Na hora de escolher, eu recomendo priorizar um instrumento confiável, com afinação consistente e uma tabela de digitação disponível. Se puder, peça a opinião de alguém que já toca: isso pode evitar que uma réplica decorativa ou um instrumento mal afinado torne seus primeiros estudos mais difíceis do que precisam ser.
Para a maioria, minha sugestão é uma ocarina Alto C de 12 furos. “C” indica a tonalidade de Dó; “Alto” descreve sua região de altura em relação a outros tamanhos. Esse modelo tem uma extensão útil para muitas melodias e há bastante material didático para ele. Mas não precisa se prender a essa opção: ocarinas de 10 ou 11 furos também podem ser ótimos instrumentos. O importante é conferir a afinação e usar a tabela de digitação e o manual do fabricante para o modelo que você escolher.
Uma coisa que aprendi é que o material e o número de furos, sozinhos, não dizem se uma ocarina é boa. O projeto e o cuidado na fabricação também fazem diferença. Pense no uso que você vai dar ao instrumento e no seu orçamento: uma ocarina de plástico, por exemplo, pode ser prática para levar por aí; uma de cerâmica pede mais cuidado com quedas.
Se você ainda está em dúvida sobre o que comprar, eu aprofundo esse assunto no guia Descobri a ocarina. E agora?, com referências de modelos e fabricantes.
O que conferir antes da compra
Antes de fechar a compra, eu conferiria estes pontos:
- A afinação e a tonalidade aparecem claramente no anúncio?
- É fornecida uma tabela de dedilhado específica para o modelo?
- Há demonstrações de notas ou melodias tocadas nesse instrumento?
- Está claro que o modelo é um instrumento musical, e não apenas uma réplica decorativa que produz notas desafinadas?
2. Conheça o instrumento e ajuste a postura
Você já sabe que ocarina é um instrumento de sopro: o ar passa pelo bocal e encontra uma borda que faz o ar dentro do corpo vibrar. Quando você abre ou fecha os furos, muda as notas que o instrumento produz. É simples de entender e, com um pouco de prática, você vai começar a perceber essa relação nos seus próprios dedos.
Se bater curiosidade sobre a origem e a história do instrumento, deixo aqui também o artigo O que é a ocarina.
Segure o instrumento com as duas mãos e use a parte macia da ponta dos dedos — a “almofadinha” — para cobrir os furos por completo. Os polegares apoiam e cobrem os furos de trás. Tente segurar a ocarina com segurança, mas sem apertar. Se algum furo ficar descoberto, a nota pode falhar; antes de soprar com mais força, confira se os dedos estão vedando bem.
Procure deixar os ombros soltos e os braços e punhos confortáveis. Com a ocarina transversal, ajuste a inclinação para alcançar os furos e respirar sem tensão. Se estiver sentado, apoie os pés no chão. A ideia não é ficar rígido: é encontrar uma posição em que você consiga tocar sem dor.
Imagem
Boa postura para tocar ocarina

Na imagem, repare que a postura confortável começa antes mesmo dos dedos: ombros soltos, cotovelos e punhos sem tensão. Leve a ocarina até a boca, em vez de curvar o pescoço para alcançá-la. Se estiver sentado, apoie os pés e distribua o peso com conforto. Mantenha a coluna alongada, sem rigidez. Se as mãos ou os braços cansarem, faça uma pausa e ajuste a posição.
Se você tiver uma VentoKanta Alto C, vale consultar o manual da VentoKanta para Ocarina Alto C. Ele traz orientações para esse modelo; se a sua ocarina for outra, siga o manual e a tabela do fabricante correspondente.
3. Comece pelas notas naturais
As notas naturais são Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si. Eu começaria aprendendo uma ou duas por vez, sempre consultando a tabela de dedilhado. Os desenhos de digitação costumam não ter diferenças entre ocarinas semelhantes de diferentes fabricantes, mas pode haver! Por isso, não presuma que uma tabela feita para outro instrumento vai funcionar exatamente igual.
Quando encontrar uma tablatura, confira se ela foi feita para a mesma afinação e o mesmo tipo de ocarina que você tem. A tablatura mostra quais furos cobrir; a partitura mostra as notas e o ritmo. Eu acho a tablatura uma ótima porta de entrada, mas também recomendo aprender partitura aos poucos. Assim você abre caminho para estudar muito mais músicas.
Se palavras como pauta, ritmo, clave ou acidentes ainda parecem complicadas, fique tranquilo: você não precisa saber tudo antes de tocar. Eu preparei um curso gratuito de teoria musical para Ocarina Alto C para você consultar quando quiser entender melhor esses assuntos.
E os sustenidos e bemóis?
Sustenidos e bemóis alteram a altura das notas naturais. A digitação pode mudar de acordo com a nota e com o modelo da ocarina, então consulte a tabela específica do seu instrumento. No começo, eu sugiro focar nas notas naturais e em melodias que fiquem confortáveis na extensão da sua ocarina. Depois, a gente acrescenta os acidentes com calma.
4. Sopre com controle e afine cada nota
Quando o afinador mostra que uma nota ficou baixa, dá vontade de soprar mais forte. Mas nem sempre essa é a solução. Na ocarina, a pressão do ar influencia a altura e o timbre. Pouco ar pode deixar a nota instável; força demais pode deixá-la aguda e estridente. Eu recomendo começar com um sopro constante e ajustar a pressão aos poucos, prestando atenção ao som.
Vamos experimentar com o afinador: escolha uma nota confortável, confira o dedilhado e sopre de maneira constante. Ajuste a pressão devagar até a nota ficar estável. Depois, repita com outras notas. Com o tempo, você vai reconhecer melhor a resposta da sua ocarina e distinguir se o desafio está no sopro, em algum furo mal coberto ou no próprio instrumento.
Toque em "Ativar microfone" para permitir a leitura da afinação.
As notas mais agudas podem pedir alguns ajustes. Nas ocarinas transversais, o acute bend é uma técnica que pode ajudar a estabilizar certas notas altas, mudando um pouco o ângulo do instrumento e a posição do queixo. É mais fácil entender vendo a técnica: assista à minha demonstração de acute bend ou volte ao vídeo introdutório no trecho de 12:26. Vá com calma e não force o sopro para alcançar uma nota.
Cada ocarina tem seu próprio alcance. Soprar cada vez mais forte para tentar “oitavar” uma nota — fazê-la soar uma oitava acima — não funciona e certamente vai desafinar ou interromper o som. Fique dentro das notas previstas para o seu instrumento.
5. Articule as notas e estude o ritmo
Para começar cada nota com clareza, experimente a sílaba “tu”. A língua interrompe e libera o ar suavemente. Não precisa falar em voz alta: use o movimento da língua como referência para o ataque. Quando pegar o jeito, experimente também um ataque mais suave, como “du”.
Nos exercícios, toque uma nota por vez e tente manter o som estável. Se o exercício pede notas separadas, dê um novo ataque a cada uma; mais adiante, você vai encontrar ligaduras, em que uma nota se conecta à outra sem novo ataque. Primeiro, vamos deixar os ataques limpos e regulares.
O metrônomo é um bom companheiro para manter a pulsação. Comece devagar, com uma nota por batida. Só aumente a velocidade quando estiver confortável com o dedilhado, o ritmo e a afinação.
6. Três exercícios para sua primeira rotina
Agora vamos colocar isso em prática com três exercícios que mostro no vídeo. Faça tudo devagar. Se uma nota falhar, pare, confira os dedos e recomece um pouco mais lento. Procure articular cada nota com suavidade e manter o som estável.
Exercício 1 — escala de Dó
Toque a escala subindo e voltando:
Comece com uma batida para cada nota. Quando estiver confortável, você pode experimentar duas notas por batida. Aumente o andamento aos poucos; não precisa correr para acompanhar o metrônomo.
Exercício 2 — notas repetidas
Toque repetindo a última nota, suba e desça na escala.
Depois faça o caminho de volta, repetindo cada nota. Aqui, quero que você perceba se consegue dar um ataque claro em cada som e manter o pulso regular.
Exercício 3 — pequena subida e volta
Neste exercício, a ideia é subir até Dó e voltar até a nota em que você começou. Faça assim:
Neste exercício, começamos no Dó grave e sobe até o Dó agudo, depois volta e para no Dó grave. Depois disso, começa em Ré e sobe até o Dó agudo, depois volta até o dó grave, e termina em Ré; em seguida, comece em Mi e sobe até o Dó agudo, depois volta até o Dó grave e termina no Mi onde começou. Continue com as próximas notas apenas enquanto estiver confortável na extensão do seu instrumento. Se ficar difícil, pare por aí e retome depois.
Quando quiser experimentar uma música, você pode começar pela tablatura de Song of Time ou pela tablatura de Epona Song. As duas estão identificadas na Library como repertório iniciante para Ocarina Alto C.
7. Cuide da ocarina
Durante a prática, pode acumular umidade dentro da ocarina. Se o som ficar abafado ou falhar, faça uma pausa e siga as instruções de cuidado do fabricante. Evite colocar objetos no canal de ar ou usar métodos de limpeza que o manual não recomenda. O cuidado pode variar entre plástico, cerâmica e madeira.
Quando terminar de tocar, guarde a ocarina protegida de quedas e impactos. As de cerâmica podem quebrar, e qualquer instrumento merece um lugar seguro. Se tiver dúvida sobre limpeza ou armazenamento, confira o manual do seu modelo.
Se quiser uma ideia de estojo para guardar e levar o instrumento, dê uma olhada em Faça sua case para ocarina.
8. Continue aprendendo com outras pessoas
Você não precisa aprender sozinho. Eu participo da comunidade Trovadores do Amanhã, um grupo ativo para conversar sobre o instrumento, compartilhar gravações e trocar dicas. Se quiser conhecer outros ocarinistas e pedir uma opinião quando bater uma dúvida, entre no grupo pelo WhatsApp.
Também recomendo o meu próprio canal do YouTube e o canal de Vinícius Quesada, Trovadores do Amanhã. E, quando quiser continuar estudando, passeie pelos artigos, tablaturas e partituras da Library. Deixo aqui os atalhos para o guia de compra e para o curso gratuito de teoria musical.
Um plano simples para a primeira semana
- Dias 1 e 2: conheça a postura e pratique algumas notas naturais com a tabela do seu instrumento.
- Dias 3 e 4: confira notas isoladas com o afinador e experimente a escala de Dó bem devagar.
- Dias 5 e 6: pratique as notas repetidas e a subida e descida com o metrônomo.
- Dia 7: escolha uma melodia curta, toque sem pressa e anote o que gostaria de praticar na semana seguinte.
Não precisa seguir esse plano ao pé da letra. Uma sessão curta e atenta já conta. Quando alguma parte parecer difícil, experimente separá-la: primeiro os dedos, depois o ataque, o ritmo e a afinação. Aí você junta tudo novamente.
Quando as notas naturais e as melodias curtas estiverem mais confortáveis, talvez você queira pensar no que estudar em seguida. No artigo Os 5 Níveis de Habilidade na Ocarina, compartilho algumas ideias para desenvolver a técnica e o repertório. Use-as como inspiração, sem transformar níveis ou estimativas de tempo em uma prova. Cada pessoa aprende no próprio ritmo. Bons estudos — e aproveite o caminho!