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Ocarinas de Múltiplas Câmaras: O Refinamento Japonês de Uma Arte Italiana?
Uma narrativa histórica das ocarinas de múltiplas câmaras no século XIX, XX e XXI
Escrito por Vinícius Carvalho Quesada.
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Muitos dos entusiastas do mundo das ocarinas entram em sites de vendas, deparam-se com o termo “múltiplas câmaras” e logo se perguntam: o que raios é isso?
A bem da verdade, as ocarinas de múltiplas câmaras nasceram de uma necessidade prática dos artesãos italianos do final do século XIX: expandir o alcance de notas do instrumento. Afinal de contas, uma ocarina italiana tradicional de câmara única tem uma tessitura limitada e não consegue ir muito além de uma oitava e meia.
Os mestres Cesare Silvestri e, posteriormente, Emilio Canella projetaram, naquele período, as primeiras ocarinas duplas — essencialmente duas ocarinas acopladas em um só corpo, abrindo a possibilidade de um alcance consideravelmente maior. Mas o que poderia dar errado? Os modelos eram grandes, um tanto desengonçados e difíceis de manusear no início, além de sofrerem com a falta de uniformização nos timbres entre as câmaras. Sem o suporte técnico e acústico necessário, o projeto acabou caindo em um longo período de obscuridade na Europa.


Enquanto isso, os instrumentos de cerâmica encontrados na Europa começaram a viajar pelo mundo e encontraram solo fértril no Japão, onde a tradição da olaria era tratada com extremo rigor. Foi uma questão de tempo até que um grande nome realizasse seus próprios experimentos. Falamos aqui, é claro, do mestre Masato Aketagawa, que em 1928 revolucionou o mercado ao introduzir o modelo de 12 furos, refinando o sistema de subfuros em relação aos padrões anteriores para facilitar a execução de semitons e passagens cromáticas complexas que antes travavam os dedos dos músicos. O resultado foi tão certeiro que a marca Aketa permanece viva e ativa até os dias de hoje como um verdadeiro artigo de luxo!
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Ocarinas Aketa


Os japoneses, contudo, esbarravam na mesma limitação de oitavas que havia desafiado os italianos décadas antes. Decidiram, então, retomar aquele experimento estagnado na Europa: retrabalharam a física do sopro, recalibraram a pressão de ar das câmaras e padronizaram o som com uma precisão cirúrgica. O mestre Nobuya Osawa tornou-se um dos grandes expoentes desse refinamento, cujos projetos e parcerias moldaram marcas de alta performance como Night e Focalink/Osawa. Com isso, os antigos problemas de insuflação e ergonomia desapareceram, permitindo que os músicos executassem peças de concerto complexas com conforto absoluto.
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Ocarinas triplas Focalink


E o ciclo fechou-se: no final do século XX e início do XXI, fazendo o caminho de volta, as ocarinas de múltiplas câmaras retornaram à Itália pelas mãos de mestres contemporâneos de elite, como Giorgio Pacchioni, que uniram o rigor técnico asiático à grande tradição artística europeia. Como diz o ditado: o mundo dá voltas!
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Ocarinas quádruplas Pacchioni

